Mostrando postagens com marcador MORTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MORTE. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de abril de 2011

JORNAL AQUI NOTÍCIAS - COLUNA - 10 DE ABRIL DE 2011


FILOSOFIA DE “butiquim” – RICARDO LEMOS

SOMOS TODOS REALENGO

Não era pra ser nada disso…

Na verdade, eu queria falar de amor, de vida, de paixão, de pequenas coisas que acontecem no cotidiano e nos passam despercebidas, carregando tanta poesia, mostrando o quanto a Natureza nos aponta, em cada minúsculo detalhe, para a existência de uma Inteligência por trás disso tudo, que eu chamo de Deus e respeito profundamente todos os nomes que se queiram dar a Ele, desde que a essência seja a mesma.

Mas uma tragédia se abateu sobre a nossa Nação e seria até desrespeitoso não falar sobre ela; fingir simplesmente que não há espinhos neste belíssimo canteiro que é o nosso planeta.

Perguntará um entediado leitor: “O que mais se pode falar a respeito disso?!” Há que se dizer, companheiro, que Columbine não é aqui, mas que precisamos agir para que não acabe sendo. É absurda a tragédia de crianças sendo mortas por um maníaco, que Deus os tenha. 

Mas é hora de enxugar as lágrimas e arregaçar as mangas.

Muito há que se fazer, naturalmente, pelo Governo em todas as esferas. E, neste caso, vale muito a pena procurar o seu deputado ou senador pela rede social que ele freqüente, adicioná-lo e cobrar uma postura. Idem para o executivo.

E eu?! Faço o quê?!

Epidemia de dengue não se previne em casa?! Pois apliquemos o mesmo conceito em nossos lares (é diferente de casa) para dizimar a praga da violência de nossas ruas. Para tanto, basta que apliquemos AMOR em tudo o que fizermos. Não é uma rima, nem uma solução, mas é uma forma de gritar para a barbárie que somos maioria e que ocuparemos pacificamente o nosso espaço e que viemos pra ficar.

É hora de romper o “silêncio dos bons” de Luther King. “Não saiba a vossa mão direita”?! Não nos vangloriemos; mas DISSEMINAR é multiplicar. Aí pode… comentários e sugestões serão muito bem vindos e podem ser a base da conversa da semana que vem.

Faltava dizer: “Alô, alô, Realengo, aquele abraço!!!”

Faltava falar de AMOR…

O “butiquim” não fecha no luto. Pelo contrário…

Ricardo Lemos é pai, filho, geminiano, escritor, blogueiro e um monte de outras coisas. Enfim, um cidadão comum…

publicada no jornal AQUI NOTÍCIAS em 10 de abril de 2011
www.aquies.com.br

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÚLTIMAS PALAVRAS




O Homem é o único bicho que tem consciência da própria finitude.


Alguns críticos argumentam que esse seria, talvez (sempre o talvez) o mais grave defeito de fábrica da raça. Afinal de contas, trata-se da principal mola propulsora de todos os conflitos existenciais.


Outros, por sua vez, sustentam que o projeto foi idealizado e executado com perfeição, que os primeiros exemplares foram criados para viver eternamente, sem preocupações, mazelas ou doenças, habitando e povoando o jardim do Éden. Mas que, num determinado momento, e talvez (sempre talvez) cedo demais, uma falha humana (e, a rigor, falhar também seria um atributo exclusivo da raça humana, mas isso é assunto pra outra hora) haveria forçado a uma mudança nos planos.


De uma forma ou de outra, já temos em quem colocar a culpa, o que é, no mínimo, fonte de grande conforto.


Tinha um amigo que se chamava Nestor (e isso, por si só, já daria uma crônica), que, como a grande maioria de seus colegas humanos, passou a prestar atenção na consciência de sua própria finitude (em Português claro – preocupar-se com a morte) quando completou 50 anos de vida. É a idade clássica para esse tipo de reação, pois acredita-se que se tenha chegado à metade da vida, embora eu mesmo conheça bem poucas pessoas que tenham chegado ao dobro disso.


Além das preocupações de praxe, como a promessa de parar de fumar (que, acredita-se, por si só, já aumenta em 10% a expectativa de vida do indivíduo), comprar mais frutas, verduras e legumes, que invariavelmente estragavam na geladeira, mas enfeitavam bastante, matricular-se numa academia e tomar mais vinho (como os médicos divergiam entre um cálice e uma garrafa por dia, tomava os dois, só por precaução), meu amigo Nestor sempre se preocupou em demasia com a impressão que causava nas pessoas que estavam à sua volta. Como o físico não era lá essas coisas, cuidava com esmero do vocabulário, sempre com tiradas inteligentes e espirituosas, que a maioria dos circunstantes não entendia, mas procurava sorrir e concordar sempre.


Pois meu amigo Nestor fez questão de deixar claro, em todas as suas conversas com amigos, colegas de trabalho e interlocutores em geral, que gostaria que as suas últimas palavras, quando enfim expirasse, deveriam ser gravadas em sua sepultura. Explicava sempre, porque eram poucos os que compreendiam de imediato quando ele mencionava a palavra "epitáfio".


Como felizmente não é dado ao homem conhecer o momento exato de sua morte, salvo nos casos de suicídio, para não ser pego de surpresa, Nestor desenvolveu o hábito de soltar pérolas filosóficas em determinados horários do dia.


Variava sempre o repertório, ou, pelo menos, assim parecia, porque depois de alguns dias do que se esperava que fosse apenas uma nova mania passageira, mas que não passou, ninguém mais prestava muita atenção em suas elucubrações.


Alice, sua mulher, durante as primeiras semanas até fingia anotar seus "pensamentos". A empregada, por sua vez, apenas se benzia e dizia "ai, seu Nestor fala umas palavras que nem parecem coisa de Deus!". E se arrepiava inteira.


Seus horários fixos incluíam a hora de deitar e levantar, antes do almoço, a chegada no escritório, os inícios de reuniões e os happy hours, sem contar os momentos que ele julgava apropriados para atirar solenemente seus pseudo aforismos do tipo:


"O homem, ao acercar-se o ocaso de sua existência…"


"Anelemos por um novo lar num zimbório nimbado de estrelas."


"Estou pronto para o amplexo derradeiro ao pó de onde me criei."


"Que o orbe que nos abriga não se turbe ao olvido de meu ser."


E por aí seguia. Pitoresco, no começo. Chato, logo depois. E nos muitos anos que se seguiram, tornou-se insuportável a mania de filosofar do Nestor, até chegar a um ponto em que quase nada do que ele dizia fazia o menor sentido. E ele apenas sorria, com um ar de despretensiosa superioridade.


Foram milhares de frases, algumas até inteligíveis, e, na manhã em que o braço adormeceu, o ar começou a faltar e uma dor intensa apossou-se de seu velho corpo, com os sinais indubitáveis de um infarto fulminante, sua mulher entrou no quarto, assustada com os grunhidos e deparou-se com o marido nos estertores da morte. Com a cara roxa, o olhar vidrado e a boca escancarada, conseguiu ainda pronunciar três palavrinhas. E expirou.


Dona Alice, ao encomendar a lápide, acabou por escolher distraidamente uma de suas frases mais recorrentes (sim, todos notavam que ele repetia sistematicamente as frases que dizia).


Porque suas últimas palavras, de verdade, não dava pra gravar na sepultura.


Nem pra repetir aqui…

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SÓ MUDOU O NOME?


- Alô?! - ele não estava com a menor vontade de atender quem quer fosse naquele momento, mas o telefone berrava insistentemente. Melhor atender logo. "Se for telemarketing..." -pensou.
Pior, era a irmã, aos berros e soluços. Pode parecer difícil, à primeira vista, alguém berrar e soluçar ao mesmo tempo. Mas ela conseguia.
- Jaime? - e berros e soluços

- Oi, mana. - um entusiasmo capaz de fazer congelar um fondue de queijo. Não conseguiu conter um sorrisinho cínico ao tentar adivinhar o que o Aristides aprontara dessa vez. O Aristides era terrível.

- A mamãe!... - mais berros e soluços

- O que tem a mamãe, Carmem? - pronto, não foi o Aristides. Foi-se o sorrisinho. A mamãe é terrível.

- A mamãe desencarnou, Jaime! - e debulhou-se em lágrimas, berros e soluços.

- A mamãe o quê?! Carmem, pelo amor de Deus, eu não estou entendendo patavina. Você bebeu?!

- Claro que não. A mamãe teve um AVC e desencarnou, Jaime.

- Que história é essa de "desencarnou"? Explica essa história direito.

Ela respira fundo, tenta articular as palavras.

- É que estou frequentando um lugar onde as pessoas não usam o termo "morte", que é muito carregado e dá uma falsa impressão. Eu aprendi que a morte não existe, é apenas uma passagem para um plano diferente, que somos espíritos imortais e que nos encontramos com nossos entes queridos tanto do lado de cá quanto do lado de lá.

- Nossa! Você aprendeu tudo isso?!

- Sim...

- Então por que você está chorando?!