sábado, 21 de abril de 2012

FILOSOFIA DE BUTIQUIM - UMBIGO DO UNIVERSO



“Tem coisa que só acontece comigo!”

É o tipo de frase que eu jamais ouvi da boca de um ganhador da Mega Sena, embora eu não seja o felizardo amigo (lato sensu) de nenhum felizardo ganhador. Mas tenho o esquisito hábito de imaginar, que, segundo Einstein, é mais importante que conhecer. E não consigo imaginar um ganhador de loteria proferindo a frase acima. Nem aquele sujeito que acabou de escapar por um triz de um acidente monumental. Nem a moça em cujo colo caiu o buquê, naquela festa de casamento (presumindo, naturalmente, que isso ainda seja encarado como um bom presságio nos dias de hoje).

É frase de quem deu com a cara na porta fechada do banco por causa de cinco minutos de atraso, ou de quem foi pego de surpresa sem guarda-chuva na rua, ou levou banho de tubaína em festa de criança, ou levou uma multa por estacionar só por dois minutinhos na vaga de idosos. Ou seja, a epígrafe perfeita para pequenos ou grandes desastres diários pessoais.

E, por menor que seja, o simples fato de sentir-se vítima de ALGO ou de alguma conspiração cósmica já confere ao fato um peso muito maior do que ele deveria ter, ou que as consequências que represente.

É a boa e velha autocomiseração (ou síndrome de coitadinho), que nos impele, na maioria das vezes, a buscar com muito mais afinco um CULPADO para os nossos problemas, que uma SOLUÇÃO, propriamente dita. Fazemos um muxoxo, resmungamos qualquer coisa e seguimos adiante, esperando a próxima “coisa” que “só acontece comigo”.

Não importa quantos mais estejam caminhando ao nosso lado, sob a mesma chuva, igual a um ou com o pinto molhado; o Universo aponta sempre todas as baterias de armas para o nosso próprio umbigo, colocando-nos na condição de vítimas de sabe-se lá que forças e planos.

Pra quê, né?!

O papo tá bom, mas eu vou ali, aproveitar que hoje é sábado (pra todos) e feriado (pra muitos) e dar um jeito na vida, que só pra morte é que ainda não inventaram um. E se, no caminho, passar por alguma lotérica aberta, fazer uma fezinha.

Vai que, né?!

Depois eu conto... ou não...

PAZ!!!
...com Deus!!!

Ricardo Lemos é pai, filho, escritor, músico amador, sonhador, empresário, contribuinte, eleitor e, por fim, cidadão; um filho de Deus, como você. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

COM PAIXÃO - FILOSOFIA DE BUTIQUIM - JORNAL AQUI - 06/ABR/2012


COM PAIXÃO

“Os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca dos saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, para o tentar, propôs-lhe esta questão: - “Mestre, qual o mandamento maior da lei?” - Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” – Jesus Cristo (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)”

O Cristo do meu livro foi claro ao estabelecer o Amor como regra fundamental, hierarquicamente superior a todas as demais, sejam elas de origem divina ou humana, travestidas de divinas, por quaisquer que sejam os motivos.

O Cristo do meu livro nasceu e viveu entre um povo dominado, massacrado, vilipendiado e, ainda assim, crivado de cristalizações e preconceitos. E privou do convívio de coletores de impostos, prostitutas e samaritanos: “gente de má vida”, como costumavam chamá-los os judeus de então. Conceito com o qual Ele, o Cristo, não parecia concordar.

Ao estabelecer 3 níveis de AMOR (a Deus, ao próximo e a si mesmo), em sua Didática perfeita, baseada no EXEMPLO acima de quaisquer palavras, oferece à Humanidade um caminho possível, praticamente uma gradação necessária que, quando trilhada de maneira inteligente, racional e emocionalmente, necessariamente levará a bons resultados.

1-    AMAR A SI MESMO pode significar cuidar da própria vida, por exemplo, se levarmos em consideração o “não julgueis para não serdes julgado”. Mas, acima de tudo, para os que detêm uma religião, viver de acordo com os seus preceitos. E, como não é possível ofertar a outrem do que não se possui, sem o amor a si mesmo fica muito difícil avançar para a próxima etapa do caminho:

2-    AMAR O PRÓXIMO é a ponte que nos conduz a Deus. Não vemos Deus, senão em sua Obra. E ainda é crível e aceitável ser o Homem, com todas as suas complexidades e vicissitudes, o ápice da Criação Divina. Para o Cristo parecia não haver “distante”; todos eram PRÓXIMOS.

Os dois trechos acima são perfeitamente plausíveis e aceitáveis para qualquer ser humano ligeiramente esclarecido. Uma proposta lógica e coerente, que prega, acima de todas as coisas, a convivência pacífica de todos os PRÓXIMOS (Ele não se referiu aos IGUAIS: “Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que os amam?” – S. LUCAS 6:32). Somente a sociopatia (ou interesses espúrios) poderia explicar o desejo de qualquer indivíduo de viver em eterno conflito e beligerância, como forma de perseguição da Felicidade. E, melhor ainda, podem ser vivenciados em sua plenitude até pelos que não creem no amor a Deus como resultado dessa equação.

O Cristo do meu livro passou muito mais tempo vivenciando o que considerava correto do que combatendo o que achava errado.

Por que não imitá-lo?!

FELIZ PÁSCOA!!!
PAZ!!!
...com Deus!!!

Ricardo Lemos é pai, filho, escritor, músico amador, empresário; um filho de Deus, como você. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

FILOSOFIA DE BUTIQUIM - BOB?!


BOB?!


Que o mundo precisa de ídolos e super heróis, todo mundo já sabe.

De Che Guevaras estampados em camisetas caríssimas de grife a Adolf Hitler (sim, é claro que também ele possui os seus seguidores e adoradores, por que   não?!), passando por toda espécie de deidades, neste ou naquele escalão, estamos sempre desfilando as ideias de alguém, quer tenhamos consciência disso ou não.
“Gata voce rebolando
Vai me deixar maluco
Desse jeito me seduz
Eu to querendo o vuco vuco
Vuco vuco vuco vuco vuco vuco vuco
Vuco vuco vuco vuco vuco vuco vuco
Vuco vuco vuco vuco vuco vuco vuco
Uuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”
Wagner Domingues da Costa

Você se assustou com o trecho da canção ao lado? Não me admira... E olha que eu escolhi uma das mais, como dizer?!, comedidas, uma vez que o veículo e o público a que se destina não comportariam algumas das frases mais célebres deste novo expoente da música brasileira: Mr Catra.

O cantor e compositor, até dias atrás marginalizado e relegado aos carros de som que passam berrando nas portas de nossas vidas aos milhares de decibéis, atualmente anda desfilando seus cordões de ouro e seu estilo de vida pouquíssimo ortodoxo nos corredores da Vênus Platinada (Rede Globo), presença frequente diante das câmeras de programas de auditório e outros.

O que pode significar que em breve ele estará emplacando uma abertura de novela, um Faustão e, quem sabe até, um Jô...

Melhor você se preparar, porque, com certeza, é o que seu filho estará ouvindo, muito em breve. Faça como eu: informe-se, pesquise no Google. O máximo que pode acontecer é você se deparar com uma pérola como a que acabo de citar acima. Ou melhores. Ou piores.

Se eu sou contra ou a favor?! Nem uma coisa nem outra. Muito pelo contrário. Enxergo a Lei e o Direito como mínimo ético para se viver em uma sociedade cada dia mais complexa e dinâmica. Se não fere nenhum dos dois, é lícito e a análise já passa a ser quanto ao GOSTO, que respeito incondicionalmente. Um tal de Voltaire, iluminista francês de grande destaque na formação do pensamento ocidental contemporâneo, certa vez disse: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizes; mas lutarei até a morte pelo direito que tens de dizê-las.”. E muita gente não concorda com ele até hoje. Eu, sim.

O vuco vuco já começou. Catra está na área e é um mimo ver crianças de 4 anos cantando que “vai rolar um adultério”. Você pode até não concordar com a ideia. Eu também não concordo.

Mas duvido que meus avós concordassem com o iêiêiê dos Beatles ou as madeixas de Bob Marley, há trinta e poucos anos atrás...

sábado, 24 de março de 2012

FILOSOFIA DE "BUTIQUIM" - O DOSSIÊ


O DOSSIÊ

(Esta é uma obra de FICÇÃO)

A história se passa em Curralzinho do Grotão. Longe. Muito longe daqui; e talvez até nos felicitemos por isso. Ano de eleições municipais, todo mundo conhece todo mundo, tapinhas nas costas, botijas de gás, milheiros de lajota, sorrisos arreganhados e muitos “amigos” aparecendo de todos os lados. E obras. Difícil não imaginar que a cidade tenha sido invadida por uma turba ensandecida de tatus, tamanha a quantidade de buracos. E placas, naturalmente.

De um lado da disputa, Clepto H. Tuno, o atual prefeito, que naturalmente deseja permanecer como tal. “Quatro anos é muito pouco tempo. Curralzinho precisa continuar crescendo!”. A cidade só não anda mais limpa, como o povo veio pedindo nos últimos tempos (três anos, mais ou menos), por conta da quantidade de poeira que a “patrola” e a “reta”, compradas “zerinhas” com os recursos de um fundo desses quaisquer, andam fazendo por aí. “Se eu não usar a máquina, eu não administro pro meu povo!” – esbraveja o alcaide. “As máquinas, Quequé!” – Dona Tininha, primeira-dama, sempre o corrigindo.

Quase empatado, Trajano de S. Morais, ex-prefeito não sei quantas vezes, denunciando tudo e todos. Dizem que colocou um cupincha para vasculhar até o lixo do prefeito, que não pode tirar uma foto sem ser acusado de “fazer uso indevido da máquina”. Pensa numa combinação de letras: MP, OAB, TRE... pode ir lá e procurar, que tem uma denúncia do Trajano contra o Clepto. E, se procurar um pouquinho mais, vai encontrar as do Clepto contra o Trajano, de uns 3, 4 anos atrás.

A imprensa local não é contra nem a favor. Muito pelo contrário.

E tem o Doutor Justo, que não é candidato a nada, mas uma espécie de conselheiro da cidade. Nobilíssimo causídico aposentado, casado há 60 anos com Dona Izildinha, “e fidelíssimo”; uma espécie de baluarte da ética e da moral na cidade e redondezas. Certa feita, ao discursar na Assembleia Legislativa, afirmou ser um “bastião de resistência conta a falta de transparência no serviço público” e foi difícil convencer o presidente da Sessão de que não tinha nenhum Doutor Sebastião ali...

Doutor Justo deu pra passar horas trancafiado no seu gabinete, na frente de um computador, catando milho por horas a fio. Até que sai de lá com aquela cara de quem traduziu “Os Lusíadas”, brandindo um calhamaço volumoso de folhas impressas. Dona Izildinha espicha os olhos, mas não pergunta; ele sempre fala, mesmo... E ele explica que se trata de um dossiê, enumerando as falcatruas cometidas na Prefeitura, com dados incontestáveis: “um documento que mudará para sempre os rumos políticos de Curralzinho!”

Ela passa os olhos, mas não consegue conter a observação: “Mas o local onde deveria estar o nome do acusado está em branco...”.

- Sim. Eu deixei de propósito. Vamos ver quem paga mais...

Ricardo Lemos é pai, filho, escritor, músico amador, empresário, contribuinte, eleitor e, por fim, cidadão; um filho de Deus, como você. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

FILOSOFIA DE "BUTIQUIM" - PALAVRAS



É, meu amigo. A coisa tá mais ou menos desse jeito. Como?! É uma ótima pergunta, para qual também sigo eu buscando uma resposta.

A VERDADE?! Não, que minhas pretensões são bem menores. Mas o fato é que algumas palavras parecem estar perdendo de vez o sentido.

AMIGO, por exemplo, é uma delas. Afinal de contas, ficou fácil realizar o sonho do Rei, de ter um milhão de amigos. Bem mais forte poder cantar também ficou muito mais fácil, basta que se lance o olhar (?!?!) sobre “novinhas” e “tchetchês” pelos sons automotivos por aí afora, mas isso já é outro assunto. Gosto eu respeito em todos os casos; e lamento em muitos.

Mas voltemos aos AMIGOS, que a crise é de conteúdo. “Amizade de internet”, dirão muitos. “Amizade mesmo era antigamente, quando não existia esse negócio de internet”... E aquela nostalgia que morre de certeza de que NAQUELE TEMPO é que havia amizade de verdade. Será mesmo?! Que as amizades feitas nos botecos ou nos prostíbulos; nas igrejas, nas quermesses e conciliábulos políticos; nos currais e nos sindicatos, eram o que se poderia chamar de verdadeira amizade?

Naquele tempo, precisávamos esperar que o amigo se ausentasse para começar a lhe meter o malho. Hoje dispomos de inbox, mensagem privada, etc. Mas não consigo simplesmente deixar de cogitar que a História da Humanidade começa, para muitos, com a notícia de um assassinato entre IRMÃOS. A existência de irmãos é muito anterior à de amigos. E os primeiros relatos são mais animosos que animadores.

NOVO é outra palavra que perdeu completamente o significado. Tem marca de cerveja por aí que vai ser nova pra sempre. Será que não era caso pra CONAR? E as novidades de hoje se transformaram em 15 SEGUNDOS de fama, e dá licença que a fila anda e a novidade das 19h52m45s precisa entrar em cena e estamos estourados no horário. As novidades de antigamente realmente duravam muito mais. Quanto a isso eu não discuto.

Outros exemplos de palavras que estão perdendo o sentido: ESPECIAL, IGUAL, ÉTICA, FICHA, INCRÍVEL, LIMPA, TRANSPARÊNCIA, SOLIDARIEDADE, GRAÇA (da que faz rir), SUCESSO.

Professor Pasquale que me perdoe. Mas é ano de Eleições Municipais. E não é preciso ser vidente pra sentir que muitas delas estarão pululando por aí. Depois vocês me contem.

PAZ!!!
...com Deus!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

FILOSOFIA DE "BUTIQUIM" - MULHER


Eu me rendo!

Ainda ecoam em meus ouvidos as manchetes do último noticiário e elas incluem até um sujeito que assalta a dentadas no norte do estado, entre tantas outras tragédias, algumas naturais, mas a grande maioria provocada por nós, homens.

Dizer nós, Homem, talvez fosse o mais apropriado, uma vez que somos parceiros, homens e mulheres, nesta longa jornada civilizatória por que vimos passando, desde que o mundo é mundo e que nos entendemos por gente. O que, talvez, seja uma ideia crivada de injustiça.

Em coisa de mais ou menos dez mil anos de registros da presença e influência humana sobre a Terra, é fato indiscutível que o modelo de ocupação/exploração/administração do nosso pequenino orbe tem sido fundamentalmente masculino. Afinal de contas, foi há pouco mais de meio século que vozes femininas começaram a se erguer e ser ouvidas.

E, para mim, claro está que o modelo que aí se encontra carece de melhoras com a máxima urgência, sob pena de não estarmos aqui pra contar a História, ou qualquer outra, com “h” minúsculo.

Aplaudo com fervor cada nova voz feminina que se alça do silêncio de tantos séculos. Seja na política, nas grande empresas, no trânsito, nas maternidades, no lar, na família, na escola. Cada voz de mulher que se levanta contra a opressão, dominação, humilhação.

Voz doce e suave de acalentar menino; ou firme e enérgica de quem entrou no jogo pra vencer, com uma tenacidade ferrenha e uma coragem infrene de se levantar a cada obstáculo vencido, bater no peito com orgulho e dizer: “Se pudesse escolher, vinha MULHER de novo!”.

Da mulher que luta com as armas da ternura, do carinho e da intuição. Mas que não hesita em movimentar mundos e fundos para garantir o sustento da prole ou o sucesso de cada nova empreitada, num mundo que exige cada vez mais de si.

A elas, o meu RESPEITO, CARINHO e ADMIRAÇÃO. E o meu desejo sincero de que próximos estejamos do dia em que homens e mulheres se ponham a cantar juntos, em uníssono, nesse grande coral que se chama VIDA.

Talvez dependa disso o nosso futuro.

Já aos homens de saia... o que posso dizer?!

Lamento, amigo! O tempo dos homens passou...

PAZ!!!
...com Deus!!!




quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Boa noite, senhoras e senhoritas!

Desculpe a falta de entusiasmo, mas acabo de vir do noticiário.

E cada vez que daquela fonte bebo, mais me convenço de que o nosso modelo pifou.

A impressão que tenho, por vezes, é que este mundo, governado QUASE exclusivamente por nós, homens, ao longo de todos esses milhares de anos de Civilização, anda por um caminho que em coisa boa não dará.

Por isso vibro com satisfação e esperança todas as vezes que me chega aos ouvidos a notícia de mais uma vitória feminina.

Seja na política partidária em qualquer esfera, na direção de uma escola, de um veículo ou uma multinacional. Seja nas maternidades ou nas capas de revista, no lar, na família, nas ruas.

Com cada voz feminina que surge, nestes dez mil anos de silêncio.

Daquelas que erguem a cabeça diante de mais um desafio vencido, respiram fundo e ditam com autoridade: “SE EU PUDESSE ESCOLHER, VINHA MULHER DE NOVO!”. E vinha mesmo.

Vinha com intuição, ternura, amor, sensibilidade...

Mas com uma tenacidade ferrenha e uma disposição descomunal para vencer, no salto, na classe. Nada de homens de saias!

Que o seu canto de vitória, MULHER, nos salve a todos!

E que estejamos próximos do dia em que cantemos todos juntos!

PAZ!!!
...com Deus!!! 

segunda-feira, 5 de março de 2012

FILOSOFIA DE "BUTIQUIM" - 03 de março de 2012 - PARECE MESMO



PARECE MESMO

Primeiramente, gostaria de deixar registrada a minha alegria em retornar a este espaço, agora aos sábados. De tanto ouvir gente falando esta semana, que 2012, finalmente, pode começar, passado o Carnaval, resolvi voltar também. O “butiquim” reabre suas portas e eu espero sinceramente que a alegria não seja apenas minha.

E, com a graça de Deus e de Rubem Braga, esperamos em breve que o “butiquim” abra suas portas e sua verborragia desencontrada nas livrarias deste nosso querido torrão, que são bem poucas, e nas demais por esse Brasil afora: está “no prelo”, quase cheirando a tinta, “FILOSOFIA DE ‘BUTIQUIM’ – CRÔNICAS”, uma compilação dos textos publicados neste jornal em 2011 e “otras cositas” mais.

O fato é que parece que 2012 vai começar, trazendo consigo as indefectíveis reflexões acerca do passar do tempo:

- “Parece que foi ontem, que começou 2011”...

- “Parece que foi ontem o acidente aéreo dos Mamonas Assassinas”...

- “Parece que foi ontem que a Dilma assumiu”... e assim, sucessivamente.

Mais do que parecer mesmo, FOI MESMO...

Foi ontem, na curta história desse nosso país, que tanto de orgulho e dor de cabeça nos dá, que Caminha enviou uma carta ao analfabeto Dom Rey, animadíssimo com as carnes expostas da ingênua nudez de nossas nativas; foi ontem que um príncipe regente, acometido de disenteria brava ou não, há controvérsias neste sentido, ergueu a sua espada às margens de um rio chamado Ipiranga e gritou “Independência ou Morte” (há controvérsias aí, também).

Foi ontem (1965) que o Braga, nosso sabiá, escreveu para uma turma de formandos:

"Ainda rapazinho, eu assisti à vitória da Revolução de 30. Vi algumas outras revoluções depois, umas derrotadas, outras vitoriosas. O que não vi foi melhorar o tônus de nossa vida pública: ela continua baixa, mesquinha, triste. (...) Isto que aí está não pode piorar."

Não vou cometer aqui a sandice de discordar publicamente do mestre; era um otimista, ao que me parece. Mas pode. Em outubro próximo. Ou seja: parece que é amanhã...

Nem do querido leitor: parece mesmo que foi ontem. Mas o tempo não parou um só milionésimo de segundo, por conta dessas nossas elucubrações desajuizadas.

Aproveitemos que foi dada a largada no ano e cuidemos da vida (própria), o que só nos é cabível e possível enquanto ainda estamos por aqui. À História e às histórias (fiquei sabendo que não existe mais “estória”, mas isso é assunto pra outra hora), confiramos o santo papel de lição para o porvir, aprendizado, experiência.

E toquemos a vida, cuidando com zelo e boa vontade do que está ao alcance de nossas mãos.

Para que não nos apanhemos, daqui a um ano ou dez, matutando:

- “Parece que foi ontem que eu li aquela coluna no jornal!”

E parece, mesmo...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

RICARDO LEMOS LET IT BE GELATO CAFÉ CUMURUXATIBA COMPACTO

RICARDO LEMOS LET IT BE GELATO CAFÉ CUMURUXATIBA COMPACTO

TIGRESA - POUSADA DAS CORES - CUMURUXATIBA - BAHIA


APRESENTAÇÃO SOLO
POUSADA DAS CORES
CUMURUXATIBA - BAHIA 
JANEIRO DE 2012

NÃO CHORES MAIS - GELATO CAFÉ - CUMURUXATIBA - BAHIA


APRESENTAÇÃO SOLO
GELATO CAFÉ
CUMURUXATIBA - BAHIA
03 DE JANEIRO DE 2012
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL : RICARDO (Gelato Café)

ENTRE A SERPENTE E A ESTRELA - GELATO CAFÉ - CUMURUXATIBA - BAHIA


APRESENTAÇÃO SOLO
GELATO CAFÉ 
CUMURUXATIBA - BAHIA
03 DE JANEIRO DE 2012

WISH YOU WERE HERE - GELATO CAFÉ - CUMURUXATIBA - BAHIA


APRESENTAÇÃO SOLO
GELATO CAFÉ
CUMURUXATIBA - BAHIA
03 DE JANEIRO DE 2012
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL : RICARDO 

VÍDEO - CHÃO DE GIZ - POUSADA DAS CORES - CUMURUXATIBA - BAHIA


APRESENTAÇÃO SOLO NO REVEILLON 2012
POUSADA DAS CORES
CUMURUXATIBA - BAHIA

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FILOSOFIA DE BUTIQUIM - 14/12/2011 - COMUNICAÇÃO



Mundo estranho este em que vivemos.

Dia desses, estarreceu-me a manchete, lida “en passant”, anunciando que um menino de 9 anos fora suspenso da escola, por haver dito que a professora era “bonitinha”.

Em nome da moral e dos bons costumes, e o significado disso, feliz ou infelizmente, varia de cidadão para cidadão, cidade para cidade, estado e assim sucessivamente, a Escola entendeu a ponderação do menino como “uma forma de assédio sexual”, colocando uma criança de 9 anos no mesmo patamar de um Bill Clinton ou daquele alto executivo do FMI, afastado por compelir uma camareira de hotel em Nova Iorque a manter consigo um intercurso sexual.

“Bonitinho”, na minha opinião, é diminutivo de feio. Mas ninguém é obrigado a concordar com ela. Como diz Quintana, “A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.” 

O menino disse o que disse, sabe-se lá se o que pensou. 

Eu, mesmo, não vi foto da dita mestra, pra emitir meu parecer sobre a beleza da tal. Mas, entrasse ele com duas pistolas automáticas na mão, atirando a esmo e dando cabo à própria vida com a última bala, e estaria muito mais acorde com o espírito de uma sociedade que coloca o puritanismo em muito mais alta conta que o “não matarás”. 

E eu desejo sinceramente que ele não venha um dia a fazê-lo.

É, Quintana...

A COISA tá esquisita...

Ricardo Lemos é pai, filho, geminiano, escritor, jornalista, e tem tomado muito cuidado com o que fala...



domingo, 11 de dezembro de 2011

TE CUIDA, CHICO



Certa feita, estava a passar a virada de ano em Prado, litoral sul da Bahia, mais precisamente no Beco das Garrafas, ao fim do qual um rapaz executava um belo trabalho de voz e violão, quando se aproxima um guri de seis anos e puxa papo. Não me lembro como foi que ele começou, criança puxando assunto é quase sempre mais interessante que o próprio assunto que se puxa. Sei que culminou numa revelação:

- É que eu queria que ele tocasse uma música, mas eu acho que ele não vai…

- Que música você quer?

Ele disfarça, abaixa um pouco o tom de voz e confidencia discretamente: - “Caubói Viado”.

Olhamo-nos. Pensamos juntos: - Tomara que não!

Explicamos que não era um tipo de música legal para quem estava ali, que ele podia ouvir com os amiguinhos, essas coisas que são sempre mais fáceis de conversar com filho dos outros. Ele foi bastante receptivo. Compreensivo, até, eu diria. Fez aquele ar superior que criança faz quando não entende adulto e balbucia um “tudo bem”, como quem diz “eu deixo você me vencer. Por enquanto…”, sorriu e se despediu.

Mal se virou na direção da mesa dos pais, anunciou em alta voz, balançando negativamente a cabeça, com aquela cara ensaiadíssima de simulada indignação resignada:

- Ele só toca LPB…

Natural que ele não soubesse exatamente o que significa MPB.

Mas, pensando bem, nem eu… M de Música, B de brasileira; até aí fica fácil concordar. Mas não me lembro de já ter ouvido rumores de Chico Buarque no Cachoeiro X Marataízes. Nem no Executivo. Ou qualquer coisa na voz de Elis Regina na quermesse do bairro. Ou Djavan na rádio poste. Quem, em sã consciência, então, tentará me convencer de que o tal “P” do meio da sigla representa popular?!

Popular virou POP, ficou moderno e hoje pode ter a cara que o ouvinte bem entender. E MPB, no bem entender da grande maioria dos ouvintes, acabou se transformando num conceito pessoal, aliado a uma idéia de antiguidade: mais ou menos como algo que se gostava de ouvir há um ano ou dois, que sumiu da mídia após os 15 minutos de fama meteórica instantânea. O que era “palatável” há dois anos acaba se transformando em clássico, o que pode ser entendido, pelos mais críticos, como um sinal de que a produção piorou consideravelmente nesse meio tempo. Ou, pelos menos, como simples nostalgia.

O fato é que o LPB rola solto por aí: pra uns é lixo, pra outros é luxo e viva a biodiversidade e o fone de ouvido.

E só agora me ocorre que essa história aconteceu há uns 6 anos. Tempo mais que suficiente para que o “Caubói Viado” do menino (Luciano, o nome dele, que deve estar à beira de completar 12 e vai saber que tipo de LPB anda curtindo por aí) já possa ser considerado MPB.

Ou não…

Com as leis que o governo anda tentando “passar”, ultimamente, eu não me arrisco a prever mais nada…

“A nossa música nunca mais tocou.” – Cazuza