
terça-feira, 30 de junho de 2009
PERGUNTAS SEM RESPOSTA (ainda bem)

MÚSICA - TEM NOVIDADE NO AR

sexta-feira, 26 de junho de 2009
QUEDA LIVRE

quinta-feira, 25 de junho de 2009
A GENTE PENSA UMA COISA...

quarta-feira, 24 de junho de 2009
FIO D'ÁGUA
terça-feira, 23 de junho de 2009
TROVINHA
segunda-feira, 22 de junho de 2009
GOTAS

PERGUNTAS INÚTEIS
- Perdi meu relógio…
- Perdeu ONDE?!?!
- Eu perdi o relógio e tu o teu tempo; se soubéssemos onde perdemos o que perdemos, não seria decerto perdido.
- Deixemos de lado essa discussão pseudofilosófica e tomemos um café.
- Já não era sem tempo!
-x-x-x-
- O larápio fugiu…
- Fugiu para ONDE?!?!
- É uma bela pergunta, mas não consegui encontrar nenhum bilhete dizendo, o que me leva a crer que quem foge não avisa aonde vai.
- E agora, o que faremos?!?! (sempre muito enfático, com um ar desconsolado)
- Tomemos um café e consolemo-nos com a idéia mui verdadeira que de nós poderá ter fugido, mas de si próprio, jamais poderá fazê-lo.
- Pra mim um capuccino… sem creme.
-x-x-x-
- Por que essa cara?!
- Estou há horas na frente deste maldito computador e não consigo dar um desfecho decente à minha história!
- Um o quê?!
- Um DESFECHO.
- Mas você ainda não começou?
- Claro que sim. Já está tudo aqui: introdução, desenvolvimento, como mandam as boas técnicas de redação; agora só me falta o desfecho.
- Palavra engraçada… DES-FECHO. Parece indicar exatamente o oposto do que quer dizer.
- Eu não crio as palavras, apenas as uso.
- Mas deveria pensar nisso. Afinal de contas, deseja usar as palavras como ferramenta de trabalho.
- Muito obrigado pelo conselho. Mas posso pensar nisso depois?
- É como DES-FERIR. Se eu desfiro golpes em alguém é com o intuito de ferir e não o contrário.
- Assim eu DES-ANIMO. Por que não aproveita que está querendo me ajudar a DES-ENROLAR isso aqui e me traz um café?
- Só tem DES-CAFEINADO.
- Ai!
- Que foi?!
- DES-ISTO.
domingo, 21 de junho de 2009
LIVRO DE CABECEIRA

Gostou tanto de "Fogo nos Lençóis" que fez questão de comparecer à concorridíssima noite de autógrafos do escritor na livraria da cidade.
Precisava ver de perto aquele homem que a fizera suspirar tantas vezes e tão profundamente. Custava-lhe mesmo crer que aquilo tudo fora escrito por um homem.
Pois fora, mesmo. E acabou se casando com ele. E quando suas amigas lhe dissessem que "Fogo nos Lençóis", ou qualquer outra obra do Mário era seu livro de cabeceira, ela poderia estufar o peito e dizer: "Pois eu tenho um escritor de cabeceira." E sorria de contentamento. Casara-se com o escritor dos mais tórridos romances da atualidade.
"Quando a noite descia sobre a cidade, como um negro véu aureolado de estrelas, e a brisa trazia um doce aroma dos campos adjacentes, ele escalava a janela do sobrado com uma rosa vermelha na boca e uma garrafa de espumante embaixo do braço. Encontrava-a semi adormecida no leito, com sua camisola negra de seda e três gotas de Chanel número 5. Despertava-a com seus beijos famintos, sorvendo seu perfume a longos haustos, enquanto sua mão percorria seu corpo com avidez, explorando cada recôndito de sua pele, descobrindo seus pontos de prazer mais ocultos. Seus gemidos e suspiros eram abafados apenas pelo bolero que entoava o quarteto de cordas que ele contratara e que agora tocavam à sua janela. O ambiente cheirava a sexo selvagem, a entrega total, estavam prestes a se lançar num precipício; fosse a queda ou vôo o resultado daquele momento, não havia mais retorno: a luxúria tomara conta de seus corpos e desejava suas almas."
Enquanto ele escrevia tudo aquilo, ela terminava de ver a novela, desligava a TV, virava para o canto e dormia.
Em outros quartos do país, uma donzela lia "Fogo nos Lençóis" e suspirava.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
ROTINAS
Fim de mais uma extenuante semana de trabalho.
Hora de dar uma olhadinha por aí, a ver o que andam fazendo os personagens desse nosso mundo.
As amostras que se seguem foram selecionadas por sorteio e os nomes e identidades dos entrevistados serão mantidos sob o mais estrito sigilo, como forma de preservação de nossas fontes.
EMPRESÁRIO – Esta semana eu peguei a ponte aérea 4 vezes, fechei 3 contratos milionários, sendo 2 com o governo federal, demiti 147 colaboradores, recebi uma delegação de empresários chineses em busca do estabelecimento de uma parceria multinacional, joguei squash, pilotei meu iate, fui ao cardiologista, desmarquei mais uma vez o analista, faltei a academia duas vezes, tive uma reunião com o advogado da minha ex-mulher e uma assembléia geral do conselho da empresa.
JOGADOR DE FUTEBOL – Esta semana eu marquei 3 gols, classifiquei meu time para as quartas de final do campeonato, dei entrevista pra duas redes nacionais de TV e uma local, 3 emissoras de rádio e dois jornais, fugi da concentração pra balada duas noites, levei dois cartões amarelos e um vermelho, treinei todas as manhãs, comprei um carro esporte novo, conversei com olheiros de um grande clube europeu sobre a possível compra do meu passe e assinei um contrato de publicidade milionário com uma empresa de materiais esportivos.
PALHAÇO – Esta semana eu ensaiei todas as manhãs, ajudei o domador a recolher o elefante, que estava fugindo, briguei com a equilibrista, fiz seis espetáculos noturnos e quatro diurnos, fui aplaudido por centenas de crianças e adultos, remendei minha calça azul com estrelas amarelas, comprei um kit novo de maquiagem, ajudei na desmontagem do camarim e partimos pra outra cidade.
NEUROCIRURGIÃO – Esta semana eu liderei uma equipe numa complicada cirurgia de implantação de células tronco na medula óssea de um paciente de Alzheimer, dei uma palestra na Universidade Stanford, onde sou professor honorário, sobre os avanços da neurocirurgia no terceiro milênio, participei de uma cirurgia virtual, interligado via satélite com colegas do Hospital de Xangai, para a extirpação de um tumor maligno no lobo parietal, dei uma entrevista por telefone à revista Science Today e recebi uma comissão do governo federal interessada na implantação de um centro de referência em neurocirurgia e afins em nossa região.
MENDIGO – Esta semana eu perambulei pelas ruas da cidade, fui enxotado por três comerciantes, importunado por dois policiais, dormi duas noites na praça principal e as outras por aí, rachei dois litros de pinga com o Sabugo, banquei o flanelinha na porta daquele restaurante da Avenida 13 de Maio, tendo que me esconder dos seguranças, comi duas vezes na casa da Dona Margarida, meu cachorro apareceu com uma namorada e já tá prenha a filha da puta, a Gildete, minha parceira, fugiu com o Caolho e o meu cafofo embaixo do viaduto foi desmanchado pela prefeitura.
ATOR DE FILME PORNÔ NACIONAL - relato suprimido por conter detalhes inapropriados ao veículo de comunicação.
POLÍTICO CORRUPTO – Esta semana eu visitei minha base eleitoral, reuni-me com assessores do meu estado, embolsei uma propina dos empresários locais, em troca de apoio num projeto de lei que concede anistia fiscal praquele bando de sonegadores, abracei eleitores, afinal de contas, nunca se sabe, tirei fotos com criancinhas sujas e remelentas no colo, tomei o avião pra Brasília, pendurei o paletó no meu gabinete, confabulei com a liderança do partido em prol do arquivamento do processo de cassação de alguns colegas, participei da sabatina ao presidente do Banco Central, pra poder aparecer no noticiário, dei entrevista àquela jornalista antipática mas gostosa, jantei duas noites no Pirandello e tomei o avião de volta pra casa na quinta-feira.
TODOS – Essa rotina ainda me mata!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A ALMA DO NEGÓCIO

O sujeito me tem a sorte de sobreviver a um naufrágio, desses que acontecem num ponto latitudinalmente eqüidistante entre o nada e o lugar nenhum.
Nada freneticamente durante dias e noites a fio (vai-se saber quantos… tenho perdido a noção do tempo até enquanto escovo os dentes, imagina o cara perdido no meio do oceano preocupado com que horas são), esquivando-se de tubarões famintos e da própria fome (chegou a tentar fazer de almoço um tubarãozinho martelo mais desavisado, mas dessa vez quem se deu bem na esquiva foi ele), driblando a sede, o sol e o frio. Nada sem saber pra onde, mas acredita firmemente que deve ser para lá…
Uma hora avista uma ilha (isso sempre acontece) e reúne os últimos resquícios de suas forças para conseguir alcançá-la. Dentro d'água as coisas parecem estar muito mais próximas do que realmente estão. Mas ele chega.
Bom, todo mundo já viu esse filme: o cara chega extenuado na praia, olha pro céu, acaba achando uns coqueiros, mata a sede, senta na praia, lança um olhar perdido sobre o oceano sem fim e suspira. Até que lhe vem a idéia iluminada de escrever um gigantesco SOS na areia da praia, com galhos e escombros do navio, que misteriosamente chegaram até ali antes dele. E acender uma grande fogueira, cuja alimentação constante seria sua maior preocupação até o momento em que seu salvador lhe mandasse a cordinha do helicóptero.
Caprichou na caligrafia, montou a fogueira como se fazia nas noites de São João em sua terrinha natal (nessas horas o sujeito se enche de reminiscências, não tem como evitar) e toca a olhar pro céu, esperando o barulho do avião que lhe há de resgatar.
Uma semana se passa e nada dele chegar. Resolve mudar de estratégia e escreve, ainda maior "HELP". E mais uma semana silenciosa se passa.
Vai agregando ao seu imenso letreiro a palavra 'SOCORRO' em todas as línguas que conhece, inclusive em português. Quanto menos noção de tempo lhe sobra, mais rápido este vai passando, varrendo consigo as esperanças de um dia tornar a ver a civilização. Ou talvez já seja tarde demais quando isso venha a ocorrer. Mas não esmorece.
Um belo dia (e como são belos os dias naquela remota ilha sabe-se lá de que oceano) acorda puto e decidido. Escova os dentes, lava o rosto, ajeita os cabelos (vai que a Pamela Anderson o está esperando na praia, liderando a equipe de resgate) e corre para a praia sem tomar o desjejum. Remove todos os troncos, galhos, mastros, destroços e empilha desordenadamente num canto da praia. Alguém que estivesse olhando de cima poderia pensar até que ele resolvera reescrever sua mensagem em mandarim.
Enxuga o suor da testa, aperta os olhos na direção do horizonte e começa a reorganizar os troncos. Nessa labuta, segue incansavelmente até o pôr do sol daquele dia. Acende seis fogueiras com o último palito de fósforo da caixa (???) e com o pouco que lhe resta de luz solar, trepa num coqueiro próximo para conferir seu trabalho.
Lá está, numa caligrafia perfeita:
IMPERDÍVEL
GRANDE RAVE DA FLORESTA
CERVEJA, ICE E RED BULL – 1,99 ATÉ ½ NOITE
RESERVAS : 5555 1234
Choveram telefonemas…
GOTAS

• A virtude de que mais me orgulho é a minha humildade.
• É possível alguém morrer com um tiro à queima roupa estando nu?
• Tirava as roupas do varal, passava a ferro, guardava no guarda-roupa (será que é assim que ainda se escreve isso?!). Tomava um cafezinho. Tirava as roupas do guarda-roupa, metia no tanque, lavava tudo de novo, pendurava a secar. E explicava: “Se esperar sujar pra lavar de novo, dá muito mais trabalho.”
• Tudo nem sempre é muito. Muito nem sempre tudo. Mas nada é sempre coisa nenhuma.
• Antes só do que também.
• Antes nunca que tarde demais.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
UM BRILHO
Travei o despertador, espreguicei na cama, esticando-me como um gato e dirigi-me pesadamente ao banheiro.
Xixi, escovar os dentes, lavar o rosto e só então arriscar uma rápida olhadela no espelho, para ver se permanecia tudo no lugar.
Mas havia algo diferente aquela manhã.
Alguma coisa brilhava em meu rosto.
Sorri, movi lentamente a cabeça para os lados, para cima e para baixo.
Não era uma ilusão.
Definitivamente, havia um brilho novo em meu rosto naquela manhã e tudo agora me parecia mais leve, belo e iluminado.
Fui tomado pelo sentimento que precede a vitória iminente: “Finalmente, meu dia chegou!”- pensei.
Saí do banheiro com um amplo sorriso no rosto e dei-lhe um “bom dia” de tenor italiano (é óbvio que ela detestava toda aquela animação àquela hora da manhã, mas naquele dia eu não tinha como resistir. Alguma coisa brilhava em mim e eu sentia que isso era apenas o começo).
Respondeu-me bocejando e apertando os olhos.
“Chega aqui”
Cheguei.
“Mais perto. Tem alguma coisa brilhando em você.”
“Ela notou!” – pensei. “É a glória.”
Estendeu as mãos, tocou meu rosto.
“Pronto, tirei. Era um resto de purpurina. Onde foi que você esteve ontem à noite?”
Desconversei e saí pra comprar o pão.
ERA UMA VEZ UM JARDIM...
Não era um desses jardins de capa de revista, exuberante e harmonioso, fengshuizado e photoshopado. Um dia fora muito bem cuidado, quando a sua criadora ainda esbanjava saúde e vitalidade. Mas hoje, ali no quintal dos fundos daquela casa antiga, era apenas um jardim comum, onde raras vezes alguém pisava.
Era, portanto, o ambiente perfeito para que a vida tomasse conta. E vida não faltava ali.
Naquele dia o líder da bicharada estava especialmente eloqüente e enfático:
Mas já que a meio tronco da amoreira estava, resolveu subir mais um pouco, dar uma última olhada no jardim onde pensara poder passar em paz seus dias, comer algumas folhinhas, que em poucas horas empreenderia nova caminhada sem destino certo, sem saber quando poderia contar com outra refeição. E subindo absorta em seus pensamentos, chegou ao mais alto galho, de onde avistava boa parte da cidade que teria que cruzar em sua busca por um novo lar.
Dias mais tarde, e olha que dia de bicho demora muito mais a passar que o nosso, novo alarme: uma sombra passeava pelo piso do jardim, demorando-se aqui e acolá.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
PROTESTO CONTRA O MEDO COMO FERRAMENTA EDUCATIVA - OLHA O ZÔTO AÍ

- Se você for ali o “veio do saco” vai te pegar!
- Olha a mula sem cabeça! O Lobisomem (eu já contei o caso de um amigo que encontrou o Lobisomem em pleno centro da cidade?!)
Bicho papão, a Cuca, o Boi da Cara Preta. Isso sem falar nos ciganos, que quando chegavam na cidade, para nós, era como se tivéssemos entrado em estado de sítio, com a constante ameaça da súbita aparição daquelas mulheres com suas saias imensas e coloridíssimas, e o medo de que nos enfiassem embaixo delas e nos carregassem para seus acampamentos de lonas laranja, onde nunca mais seríamos encontrados; ou daqueles homens com seus chapéus de caubói e seus dentes de ouro, sempre sorrindo não se sabe por quê, que nos agarrassem e lançassem nas garupas de seus cavalos, levando-nos igualmente para as já referidas tendas amarelas, de onde não haveria escapatória.
Tem o caso da vizinha que gritava o lixeiro, toda vez que a filha sumia de casa. E olha que a menina tinha gosto por sumir de casa, o que significa que a ameaça não funcionava e volta e meia, lá do outro lado da rua escutávamos os berros raivosos da mãe: “Lixeiroooooo!!!”
Alguns darão de ombros e dirão nunca ter ouvido falar de tal monstro. Ledo engano. Mas vamos aos fatos, pois é possível que não estejam ligando o nome à pessoa:
CENA 1 (lembrando e ressaltando que se tratam de cenas fictícias e qualquer semelhança com fatos da vida real terão sido mera coincidência)
FILHO – Vou sair, uai!
MÃE – De jeito nenhum! O ZÔTO vai falar que você é um mendigo, que seu pai quebrou de vez, que você não tem mãe… (Esqueci de esclarecer: é isso que o ZÔTO faz. Ele não rouba criancinha, nem faz mingau ou sabão: ele FALA.)
FILHO – Mãe, to pensando em colocar um brinco igual ao do Jô!
MÃE – Deus me livre! O ZÔTO vai falar que você virou viado! (Assim mesmo, com “i”.)
PAI – Pra quê você foi fazer isso?! O ZÔTO vai dizer que ele vai virar vagabundo!
MÃE – Ai, meu Deus! O que o ZÔTO vai falar?
ESTATÍSTICAS
Dois filhos na escola, uma pré adolescente e um quase, não têm os melhores empregos do mundo, dividem as prestações do apartamento de dois quartos num bairro classe média média, mais o financiamento do carro, esticam o orçamento e passam férias em Piúma aonde, apesar de terem conseguido, a duras penas, construir uma casinha modesta a 5 quadras do mar, só vão mesmo no verão, embora todo ano soem aquelas promessas de aparecer mais durante o ano, afinal de contas, “é tão pertinho!”
Enfim, um caso raro de longevidade conjugal.
Numa bela tarde de sábado estão os dois a “vitrinar” pelo Shopping Sul (sim, o Aguinaldo ainda acompanha a Geruza ao shopping), enquanto os filhos assistem a um lançamento no cinema, quando são abordados por uma dessas mocinhas com cara de 12 anos e maquiagem de 30, metida numa calça jeans de cós baixo apertadíssima e uma camiseta baby look amarela, com uma prancheta na mão. Aguinaldo tenta disfarçar, fingir que não está vendo, cortar caminho, assobiar, qualquer coisa. Mas o shopping está perigosamente vazio naquela tarde, e a menina do instituto de pesquisas não tem mais ninguém para entrevistar e coitada, pensa Geruza, “a menina precisa trabalhar. Não custa nada ajudar.”
- Boa tarde! Eu sou do Instituto de Pesquisas IBOTE. Nós estamos fazendo uma pesquisa sobre relacionamento para a Folha de Cachoeiro e gostaríamos de estar fazendo algumas perguntas, se a senhora não se importar. É muito rápido, leva menos de dois minutos pra responder. – tudo isso ela falou sem parar pra respirar, o que deixou o Aguinaldo à beira de uma apneia (alguém tem que explicar ao meu computador que o Acordo Ortográfico já está em vigência e que apneia não tem mais acento).
- Boa tarde, pois não!... – foi a amável e sorridente resposta de Geruza.
Nome, idade, profissão, estado civil, primeiras, segundas, terceiras núpcias ou outras, tempo de casada, etc, etc, etc e a menina vai enchendo freneticamente os quadradinhos de seu calhamaço de formulários. E o Aguinaldo sorrindo resignadamente por dentro. É claro que ele não acreditara naquela história de dois minutos.
- O tema da nossa pesquisa é “A Vida Sexual dos Casais Casados”. – aquela menina recém saída das fraldas dizendo isso com tanta naturalidade, como quem comentava o novo sucesso da mais nova dupla sertaneja deixou Aguinaldo um pouco desconcertado. E quando enfim caiu a ficha de que o casal casado em questão eram ele e Geruza, o desconcerto passou rapidamente a desconforto, desespero, etc, etc, etc…
À medida que as perguntas iam sendo lançadas e Geruza respondendo com a maior naturalidade do mundo, como se transmitisse a uma velha amiga de infância a receita do bolo de milho verde da vovó Geralda, Aguinaldo ia arregalando os olhos, transpirando por todos os poros, mudando de cor, passando por todos os matizes do arco-íris e alguns mais que ele nem conhecia (pra essa coisa de cor homem é realmente horrível – está cientificamente comprovado), ao ponto de o segurança do shopping chegar perto e perguntar se ele estava se sentindo bem, se não gostaria de se sentar um pouco, ao que ele respondia apenas balançando a cabeça freneticamente.
Após quase vinte minutos, uma quase síncope e uma poça de suor no chão, finalmente as duas se despedem amavelmente. Geruza ainda ganhou de brinde uma caneta do Instituto IBOTE, o que certamente daria briga entre as crianças.
Aguinaldo está lívido como cal e arfante como um pássaro ferido.
- Está sentindo alguma coisa, meu bem? – sim, eles se tratam por meu bem, nos momentos sérios. Na intimidade são Gê e Gui.
- Estou chocado! Não, acho que apavorado seria a palavra mais indicada. Como é possível conviver tanto tempo com uma pessoa, achando que a conhece como a palma da própria mão e, de repente, descobrir que não era nada daquilo!...
- Do que você está falando, meu bem? Agora quem está ficando preocupada sou eu.
- Dessa pesquisa louca. De como você é capaz de revelar nossa intimidade sexual a uma menina recém saída dos cueiros e que você nunca viu na vida…
- Uma gracinha a mocinha, né?! – e sorriu inocentemente – Meu amor, – agora com aquele tom de voz maternal típico - você está supervalorizando…
- Geruza! – ele quase nunca a chamava assim e raramente a interrompia, a coisa parecia séria. – Você nunca me disse nada sobre achar excessiva a freqüência com que eu te procuro na cama, ou sobre se preocupar muito mais com qualidade do que com a quantidade de nossas relações! – quando um dos parceiros refere-se àquilo com tamanha formalidade é sinal inequívoco de que realmente está levando o assunto muito a sério.
- Hum!
- E eu nunca imaginei na minha vida que você fosse capaz de simular um orgasmo!
- Hum! – e o rosto dela vai se iluminando aos poucos, como quem escuta uma criança contando uma história absurda.
- E as dores de cabeça, o fato de fantasiar que está transando com outros homens – e foi, gesticulando muito, listando todas as respostas chocantes que jamais imaginara ouvir da boca da própria mulher, enquanto ela balançava a cabeça lentamente e sorria.
- Meu amor, você está reagindo de forma exagerada a uma coisa tão sem importância. Quantas vezes eu já te disse que você é o marido mais maravilhoso do mundo e o homem com quem eu desejo dividir a minha cama para o resto da vida?
- Mas…
- Bobinho, todo preocupado! – e o sorriso crescendo no rosto.
- Mas aquelas respostas todas… como é que você pôde?!
- Você acreditou naquilo, meu amor?! Era tudo mentira! Você não achou mesmo que eu fosse capaz de abrir assim a nossa vida sexual a uma menina que eu nunca vi na vida, achou?! Que eu sairia por aí dizendo que além de tudo somos um sucesso na cama?! Francamente… - e uma gargalhada contida, afinal de contas estão no meio do saguão do shopping.
- Mas… Por quê?!
- Meu bem o que a moça ia pensar de mim?!
Silêncio…
Naquela noite quem teve dor de cabeça foi ele.
terça-feira, 2 de junho de 2009
O MAIOR PRESENTE DE TODOS

Ontem tive a felicidade de completar mais um junho, ao lado das pessoas que amo.
E o maior de todos os presentes de todos me veio de um pequeno poeta: GABRIEL TEIXEIRA CARVALHO DE OLIVEIRA LEMOS - nome de anjo, fibra de campeão, alma de artista.
Escritor nato, responsável por algumas das páginas mais importantes da minha vida, que ainda está apenas no começo, perto dele sou um iniciante.
ABRE ASPAS
HOJE É O SEU DIA
LHE DESEJO MUITAS FELICIDADES,
QUE VOCÊ TENHA MUITA ALEGRIA
COM TODAS SUAS AMIZADES
HOJE É SEU DIA
E UM ANO VOCÊ CRESCEU
QUE VOCÊ POSSA SE DIVERTIR
COM MUITAS OPORTUNIDADES PARA RIR
FELIZ ANIVERSÁRIO,
EU DIGO DO FUNDO DO CORAÇÃO,
FELIZ ANIVERSÁRIO
PRA VOCÊ MEU AMIGÃO
01/06/2009 - Gabriel
FECHA ASPAS
Parabéns a você, filho amado!
Que cada dia da sua vida seja uma página escrita com muito amor, ternura e sucesso.
Sou seu fã número UM!
TE AMO!!!